Algumas semanas atrás, tive a oportunidade de me encontrar com um grande amigo e, durante um café, discutimos o impacto significativo que a confiança pode ter no sucesso ou fracasso no ambiente corporativo. Essa conversa me trouxe vários insights importantes que gostaria de compartilhar.
Confiando nas pessoas certas
Acredito que todos nós já nos deparamos com o dilema de aprender a confiar nas pessoas certas em algum ponto de nossas carreiras. A confiança é um elemento crucial para a construção de relações saudáveis, seja no trabalho ou fora dele. Essa dinâmica é ainda mais evidente dentro das organizações, onde sempre precisamos envolver pessoas, parceiros e equipes para alcançar grandes resultados. Diante disso, a pergunta que surge é: como saber em quem confiar?
Para responder a essa pergunta, considero três elementos principais antes de confiar definitivamente em alguém.
O primeiro é a observação da postura de uma pessoa. Podemos observar como alguém se comunica — tanto verbalmente quanto de maneira não verbal —, como trata aqueles que não têm nada para lhe oferecer, como se comporta em reuniões e interage com suas equipes. Podemos até observá-la pela forma como escreve e-mails, conversa informalmente e se posiciona em diversas situações. Quando aprimoramos nossa habilidade de observação, conseguimos ter uma ideia sólida de quem é confiável.
Por exemplo, imagine confiar em alguém que demonstra arrogância com a própria equipe, soberba em discussões com outras áreas, negligência diante de um problema cotidiano ou indiferença frente a temas importantes que não lhe tragam benefícios imediatos. Se observássemos melhor esses aspectos, teríamos algumas respostas bastante esclarecedoras, concorda?
O segundo fator importante é a intuição. Embora não seja uma abordagem científica, compartilho aqui uma perspectiva baseada em minha experiência pessoal. Como qualquer profissional de vendas, tenho como tarefa diária buscar sinais rápidos nas pessoas. Normalmente, quando conheço alguém, formo uma impressão preliminar — e em 99% dos casos, essa primeira avaliação se confirma. Acredito que essa “voz interior” que todos nós possuímos é capaz de processar rapidamente tudo o que já vivemos e observamos, oferecendo um diagnóstico instintivo sobre seguir ou não adiante. Nossa intuição é poderosa — vale a pena ouvi-la.
O terceiro e último elemento que considero é entender o papel de cada pessoa na nossa jornada. Sempre tento avaliar qual será a função daquela pessoa na minha vida ou na empresa, e por quanto tempo ela estará presente. Por exemplo, um novo chefe muito diferente de você pode parecer difícil de confiar, mas pode oferecer aprendizados valiosos. Cabe a você identificar o que há de positivo nessa relação e avaliar os ganhos e perdas. Eu mesmo tive um líder, há anos, em quem não confiava plenamente, mas sua habilidade de lidar com conflitos era tão admirável que concordei em trabalhar com ele por um ano, apenas para aprender como ele conseguia fechar tantos acordos internos sem gerar atrito. Ele era brilhante nesse ponto.
Em contraste, recordo-me de um episódio em que a empresa onde eu trabalhava estava prestes a contratar alguém. Por coincidência, eu já havia trabalhado com essa pessoa e havia presenciado comportamentos incompatíveis com nossa cultura: autoritarismo, falta de respeito, ausência de empatia com as equipes. Fui direto: recomendei buscar outro nome. Naquele caso, os riscos superavam os possíveis benefícios.
O poder transformador da confiança
Acredito profundamente que, ao observar a postura das pessoas, ouvir sua intuição e compreender o papel de cada um na jornada, você estará mais preparado para tomar decisões melhores sobre em quem confiar. E quando você confia, de verdade, o impacto é surpreendente.
No contexto profissional, ter a confiança como base das relações permite delegar com mais tranquilidade, gerir melhor o tempo, criar ambientes mais leves e produtivos. Onde existe confiança, há espaço para conversas sinceras, decisões rápidas e discussões construtivas. É nesse ambiente que dois mais dois podem virar mil, porque a confiança potencializa tudo: a entrega, a parceria, a criatividade, o crescimento.
Além disso, a confiança nos permite sermos nós mesmos, e não personagens corporativos sem alma — algo infelizmente comum em muitas organizações.
Minha recomendação final é clara: faça da confiança a base dos seus relacionamentos profissionais. Os frutos que você colherá ao longo do tempo serão extraordinários.
Até a próxima!